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Orelhinha não foi um caso isolado: a violência contra animais precisa parar

Casos como o de Orelha têm se multiplicado e reacendem debate sobre punições mais rigorosas e falhas no sistema de proteção animal no Brasil

28/01/2026 às 15h54
Por: Michelle Oliveira
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Imagem produzida por IA
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A morte do cão comunitário Orelha — brutalmente agredido por um grupo de adolescentes na Praia Brava, em Florianópolis (SC) — não chocou apenas os moradores locais. O caso, que ganhou repercussão nacional nas últimas semanas, escancara um problema mais amplo: a persistente violência contra animais e a sensação de impunidade diante de crimes dessa natureza.

Orelha, um cachorro de cerca de 10 anos, era presença constante na comunidade, recebendo cuidados, carinho e alimentação de moradores e visitantes. No início de janeiro, ele foi encontrado em estado crítico, com ferimentos graves na cabeça decorrentes de agressões. Encaminhado a uma clínica veterinária, precisou ser submetido a eutanásia para aliviar seu sofrimento, diante da impossibilidade de recuperação.

As investigações da Polícia Civil de Santa Catarina apontam que quatro adolescentes estariam envolvidos nas agressões que resultaram na morte do animal. Apesar da identificação dos suspeitos, nenhum deles chegou a ser apreendido; dois dos jovens estão atualmente nos Estados Unidos em viagem previamente programada, segundo a autoridade policial. Além disso, familiares dos suspeitos foram indiciados por coação de testemunhas, em um desdobramento que acrescenta complexidade ao caso.

O inquérito agora segue sob análise do Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) e sob sigilo conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Por serem menores de idade, os adolescentes não podem ser processados criminalmente na esfera penal tradicional; em vez disso, estão sujeitos às medidas socioeducativas previstas no ECA, que vão desde advertências e prestação de serviços à comunidade até, em casos extremos, internação em estabelecimento educacional por até três anos — embora este último seja raro em situações que não envolvam violência contra pessoas.

A repercussão do caso também impulsionou debates no Congresso. Parlamentares já cobram penas mais severas e alterações legais para tornar mais rigorosa a punição a crimes contra animais. 

Nas redes sociais, a hashtag #JustiçaPorOrelha foi amplamente compartilhada e motivou campanhas e abaixo-assinados online que somam centenas de milhares de assinaturas pedindo responsabilização dos envolvidos e mudanças na legislação. Organizações de proteção animal destacam que casos de crueldade se repetem em diversas regiões do país e que respostas mais firmes da Justiça são essenciais para frear a escalada de violência.

Para muitos moradores de Florianópolis e ativistas, a tragédia com Orelha tornou-se um símbolo da luta contra maus-tratos a animais e um chamado à sociedade para enfrentar o problema de frente. Enquanto o processo judicial segue em andamento, a mobilização pública e as demandas por mudanças legais permanecem no centro do debate.

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