
A prova prática para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Brasil passa por uma das transformações mais profundas das últimas décadas, com mudanças que têm gerado reações diversas entre candidatos, autoescolas e especialistas em trânsito. A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) publicou no início de fevereiro o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular (MBEDV), que redefine critérios de avaliação e critérios de aprovação na etapa prática da habilitação.
A principal alteração está na baliza — historicamente considerada “o terror” de muitos candidatos —, que deixou de ser uma etapa isolada e eliminatória da prova. Agora, a manobra de estacionamento integra o trajeto da avaliação e passa a ser observada como parte do comportamento geral do candidato no trânsito, sem ser, por si só, causa automática de reprovação.
“Até hoje, faz 11 anos que eu tenho a carta, até hoje eu tenho uma dificuldade de fazer, eu acho bem complicadinho”, confessou a empresária Nathália Botteon.
Com as novas diretrizes, o exame prático foca no desempenho ao volante em situação de tráfego real, privilegiando habilidades como respeito às sinalizações, controle do veículo, leitura do trânsito e decisões em contexto urbano.
O candidato inicia a prova com zero pontos, e a reprovação só ocorre se ultrapassar o limite de 10 pontos acrescidos por infrações, classificadas conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Outra inovação é a possibilidade de uso de veículos com câmbio automático no exame, ampliando as opções para os candidatos. Além disso, condutas que antes causavam eliminação imediata — como deixar o carro morrer ou esquecer o cinto de segurança — agora geram apenas pontos negativos, desde que não comprometam a segurança geral do exame.
Aplicação e diversidade nas unidades da federação
Embora a resolução esteja em vigor desde dezembro de 2025 com a publicação da Resolução Contran nº 1.020/2025, a aplicação das novas regras depende da adaptação dos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) e da publicação do manual nacional. Em vários estados, como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Goiás, a baliza já deixou de ser exigida na prova prática; em outros, como Ceará e parte do Paraná, a implementação aguarda ajustes estruturais ou a publicação completa das normas estaduais.
Reação dos especialistas
Para defensores da reforma, as mudanças tornam o exame mais realista e alinhado à condução cotidiana, onde a capacidade de dirigir de forma segura no trânsito é mais relevante do que a execução de manobras isoladas. Já críticos advertem que a eliminação de etapas tradicionais como a baliza pode reduzir o rigor técnico da avaliação, com potencial impacto negativo na formação de habilidades fundamentais para manobras de estacionamento no dia a dia.
"Quem vai pagar na realidade vai ser o cidadão, tanto na questão financeira porque os nossos impostos vão ter que suprir toda essa esse problema que vai ser causado pelo trânsito na questão da saúde principalmente", pontuou Renan Lourencini, Diretor de Auto Escola há mais de 28 anos.
Perspectivas dos candidatos
Entre os futuros motoristas, a recepção também é mista. Muitos celebram a redução de critérios que eram vistos como arbitrários ou distantes da realidade prática de dirigir, enquanto outros se mostram cautelosos, ressaltando que menos etapas eliminatórias não significa automaticamente melhores motoristas nas ruas.
“Eu fico um pouco mais tranquila porque sabendo que, tipo assim, se eu não conseguir fazer a baliza, não reprova, né? Então é isso, fico bem mais tranquila. Mas eu acho que é o essencial também", destacou a jovem balconista Ana Julia Claudino, reforçando a importância de aprender a manobra.
As mudanças fazem parte de um conjunto de reformas mais amplas no processo de habilitação, que incluem, além do exame prático renovado, a oferta de conteúdo teórico digital gratuito e a flexibilização de aulas práticas, com redução da carga horária mínima obrigatória e possibilidade de instrutores autônomos.
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