
O mercado de trabalho brasileiro vem incluindo, de forma crescente, profissionais com mais de 50 anos, uma tendência que contraria a visão tradicional de que idade seria uma barreira para a empregabilidade. Dados oficiais mostram que mais de 13 milhões de brasileiros com mais de 50 anos estão ativos no mercado de trabalho em diversas funções e setores, segundo o Ministério do Trabalho. Esses trabalhadores já representam cerca de 18% do emprego formal no país, proporção que vem crescendo nos últimos anos.
A experiência está virando um ativo valioso para profissionais que buscam segmentos onde comprometimento e resiliência são valorizados. “A gente procura dar uma atenção maior porque são pessoas que você vê que eles já têm mais comprometimento com a empresa. Hoje eles precisam de uma segunda renda porque a gente vê a dificuldade que está, e eles buscam e têm um interesse maior em estar buscando um novo emprego, uma nova renda, uma nova colocação no mercado de trabalho”, explica a Recrutadora do Supermercados Pierim, Cleonice C. Campiotto pontuando a motivação da empresa em considerar candidaturas de profissionais mais experientes.
O repositor da rede de supermercados, Luíz Antônio Massaro de 58 anos representa esse movimento e segundo ele sua experiência facilita sua adaptação: "Para mim não tem dificuldade nenhuma. Me adapto em qualquer parte de setor, para mim não tem nenhuma dificuldade, graças a Deus. Trabalho de garçom, segurança, direto... às vezes eu saio daqui, já vou para outro serviço, chego às 4 da manhã e no outro dia às 7 eu estou aqui novamente".
Empregadores que adotam profissionais 50+ costumam destacar a experiência acumulada como um diferencial.
"O benefício é que ele já vem com a bagagem de serviço, já sabe o que fazer. E o comprometimento também é outro diferencial que essas pessoas têm; eles são mais comprometidos com a empresa, com o serviço", concluiu Wellington Vitorino, dono de uma oficina auto elétrica em Mococa, que há cerca de um ano empregou o eletricista de auto, Ailton Antônio da Silva de 58 anos.
"Hoje não está tão difícil porque já tenho bastante idade pelo que eu faço, né? Eu comecei com 13 anos, estou com 58. A gente não pode gravar muito, sempre está aprendendo, mas pelo tempo de serviço a gente vai mexendo e vai pegando a prática mais, entende? Então a gente vai aprendendo cada dia mais", comentou Ailton.
Mesmo com esse cenário de maior visibilidade e presença crescida de trabalhadores experientes, pesquisas apontam que o preconceito etário — o chamado etarismo — ainda persiste em muitos processos seletivos. Um estudo divulgado por meio de plataformas de emprego indicou que 69% dos trabalhadores com mais de 50 anos acreditam já ter perdido vagas de emprego por causa da idade.
Outros levantamentos corroboram que muitas empresas mantêm barreiras para contratação de profissionais mais velhos. Pesquisa da consultoria Ernst & Young em conjunto com a Maturi mostrou que a maioria das empresas brasileiras entrevistadas tinha entre 6% e 10% de funcionários com mais de 50 anos, e 78% admitiram possuir vieses etários em seus processos de seleção.
Ao mesmo tempo, iniciativas que promovem inclusão de profissionais 50+ têm ganhado espaço, com programas específicos de empresas voltados a ampliar oportunidades e combater estereótipos, refletindo uma mudança gradual no perfil de contratações formais.
Embora a presença de profissionais mais experientes ainda seja minoritária em muitas companhias, a tendência demográfica e os números do mercado mostram que essa faixa etária vem conquistando espaço, impulsionada pela combinação de experiência, comprometimento e adaptações às exigências atuais do trabalho.
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