
O Brasil tem 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de autismo, segundo o Censo 2022 do IBGE. O número, que representa 1,2% da população, revela algo maior que uma estatística: um país que precisa falar mais sobre o assunto — entender, acolher e garantir direitos.
Em Mococa, essa conversa tem acontecido todas as quartas-feiras às 20h30 na emissora TV Direta. O programa “Direitos e Desafios do Mundo Neurodivergente”, apresentado pela médica pediatra Kelly Barbi dos Santos, tem ajudado a aproximar o tema do público, em uma linguagem simples e acessível.
Especialista em autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento, Dra. Kelly conduz o programa com sensibilidade e clareza. Cada edição é um convite para entender o que é ser neurodivergente — e por que a informação é o primeiro passo para a inclusão.
Na edição mais recente, exibida na última quarta-feira (05), a médica abordou um tema que tem ganhado destaque: o aumento dos diagnósticos de autismo e os desafios que ainda cercam a compreensão da condição. “Não é uma moda”, reforçou ela durante a transmissão. “O autismo é uma condição real, complexa, e cada indivíduo é único.”
O episódio destacou pesquisas que apontam fatores ambientais e genéticos no desenvolvimento do Transtorno do Espectro Autista (TEA), e reforçou a importância de se olhar para os sinais precoces — como dificuldades de interação, contato visual reduzido, movimentos repetitivos e interesses restritos.
Dra. Kelly também falou sobre o papel das famílias. “O diagnóstico pode assustar no início, mas o acolhimento e a informação transformam tudo”, disse. Ela explicou que a intervenção precoce é decisiva e que a terapia ABA, quando aplicada de forma lúdica e individualizada, pode trazer resultados significativos. “Cada criança merece um cuidado, cada família merece um acolhimento”, resumiu a médica.
E esta conversa sobre autismo não é restrita às clínicas ou congressos. Em setembro, o Ministério da Saúde recomendou que todas as crianças de 16 a 30 meses passem por uma triagem padronizada (M-CHAT) para detectar possíveis sinais do espectro. A ideia é ampliar o diagnóstico precoce e evitar que famílias fiquem anos sem respostas.
Também há novidades no campo da pesquisa. Estudos recentes, publicados por grupos internacionais, apontam a existência de subtipos biológicos distintos de autismo, o que pode mudar o futuro do diagnóstico e do tratamento. Em outras palavras, a ciência começa a compreender o autismo não como uma única condição, mas como um espectro ainda mais diverso.
Para quem acompanha de perto, o programa da TV Direta funciona como um ponto de encontro entre ciência, vivência e afeto. Ao longo das semanas, Dra. Kelly tem recebido profissionais da saúde, educadores e familiares de pessoas autistas para discutir não apenas os desafios, mas também os direitos e conquistas dessa comunidade.
Na próxima quarta, o tema continua: a convidada será a assistente social Márcia Giglio, que falará sobre o cotidiano das mães atípicas — mulheres que vivem a maternidade de forma diferente, mas igualmente intensa e cheia de aprendizados.
Em tempos de tanta desinformação, iniciativas como essa ajudam a transformar o olhar coletivo. O autismo, afinal, não é sobre rótulos, mas sobre pessoas — com suas singularidades, talentos e maneiras únicas de ver o mundo.
E talvez seja justamente esse o maior mérito do programa: lembrar que compreender o outro é o primeiro passo para uma sociedade verdadeiramente inclusiva.