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Mococa entre a ruptura e a acomodação: quando o poder se inverte e a cidade paga a conta

A política de Mococa voltou ao centro do debate após a declaração pública do vice-prefeito, Professor Batata (Nilton César Greghi), anunciando que não está mais politicamente alinhado ao prefeito Eduardo Barison.

28/11/2025 às 18h14 Atualizada em 02/12/2025 às 18h31
Por: Redação Fonte: Paulo Vicente
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Mococa entre a ruptura e a acomodação: quando o poder se inverte e a cidade paga a conta

A manifestação ganhou amplo repercussão e expôs, de forma clara, um padrão que remete ao primeiro mandato do atual chefe do Executivo: a ruptura entre prefeito e vice no início do exercício. 

Executivo rachado: o que deveria ser unido está dividido

Nas duas últimas eleições, o prefeito escolheu vices de forte apelo popular para compor as chapas — primeiro Daniel Giroto e, neste mandato, o Professor Batata — numa estratégia que parecia buscar legitimidade e capilaridade eleitoral. Na prática, contudo, a parceria não se sustentou: acusações de afastamento, relatos de preterição em reuniões e queixas públicas sobre falta de diálogo transformaram uma promessa de união em um conflito permanente. O vice chegou a afirmar que secretários o procuraram discretamente para manifestar apoio, mas temem retaliações. Esse racha interno compromete a coesão administrativa e reduz a capacidade do Executivo de governar de forma integrada. 

Legislativo aconchegado: o que deveria ser independente está alinhado

Enquanto o Executivo se rompe por dentro, a Câmara Municipal — cuja função constitucional é legislar e fiscalizar — apresenta, em sua maioria, alinhamento ao prefeito, segundo observadores e relatos locais. Indicações, nomeações e acomodação em cargos comissionados fortalecem uma base legislativa que, quando deveria questionar e exigir transparência, tem mantido postura favorável ao governo. O resultado é um enfraquecimento do controle institucional num momento em que a cidade mais precisa de fiscalização técnica e política. 

A conta que chega à população

As consequências são concretas: além do impacto administrativo, segundo relatos e publicações locais, o endividamento do município teria aumentado de forma significativa — há menções públicas que colocam a dívida em patamar superior a R$ 400 milhões, informação que circula em debates na cidade e no meio político local. O vice-prefeito também declarou publicamente que “não há recursos para nada”, chegando a afirmar que o município não dispõe sequer de verba para compras simples de manutenção urbana, como sacos de cimento — um retrato simbólico da incapacidade de atender o básico. A falta de transparência sobre os números e a gestão fiscal agrava a apreensão da população. 

Além disso, documentos e atos legislativos recentes apontam para questionamentos sobre a gestão de exercícios anteriores, incluindo apreciações e pareceres publicados nas instâncias competentes. A combinação entre fragilidade administrativa, opacidade e ausência de contraponto institucional forma um quadro preocupante para o futuro da cidade. 

Conclusão — a inversão que penaliza Mococa

O que se desenha em Mococa é uma inversão perigosa de papéis: o que deveria ser unido (prefeito e vice) vive rachado, e o que deveria ser independente (o Legislativo) vive aconchegado nas asas de cargos e interesses. Essa dinâmica não é só política: é econômica e social, e tem reflexos diretos no cotidiano dos munícipes — nas ruas, nas praças e na capacidade de investimento do município.

Enquanto Executivo e Legislativo não retomarem seus papéis constitucionais — o Executivo governando com unidade e transparência, e o Legislativo fiscalizando com autonomia e rigor —, Mococa continuará a pagar a conta desse desalinhamento institucional.

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Sobre Paulo Elias Vicente é empreendedor e empresário de Mococa — com atuação em diversos segmentos que vão desde a indústria ao setor de comunicação. Ele assumiu a presidência da TV Direta Mococa com o compromisso de dar voz à comunidade, estimular o debate e ampliar a reflexão sobre os rumos da cidade. Nesta coluna, “Palavra do Presidente”, Paulo compartilha suas reflexões sobre o cenário político, a economia regional e temas que impactam diretamente a vida dos moradores. O espaço existe para provocar a reflexão, fomentar a cidadania consciente e incentivar o engajamento da população com os desafios e potencialidades de Mococa e região. Seja convidando à participação, questionando decisões ou celebrando avanços, a “Palavra do Presidente” busca ser um ponto de encontro entre a informação, a responsabilidade social e a esperança de construir uma cidade melhor — juntos.
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