
O mês de novembro chegou e, com ele, o alerta azul volta a ocupar espaços públicos, unidades de saúde e a rotina de milhões de brasileiros. A campanha Novembro Azul, voltada à conscientização sobre o câncer de próstata, reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da quebra de tabus que ainda afastam muitos homens dos consultórios.
Segundo dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil registra mais de 71 mil novos casos por ano. É o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens, representando cerca de 29% de todos os diagnósticos masculinos. Apesar disso, ainda há quem deixe o cuidado para depois. “Tenho sim, mas tá em dia os meus exames”, contou um morador entrevistado. Ele admite que só procura a unidade de saúde quando percebe que está na hora: “É eu vejo que tá na hora; passo no postinho. No postinho eles passam para mim se tá na hora ou não”.
Sintomas, cuidados e o papel dos exames
Em Mococa, o médico clínico geral Dr. Gustavo Hortelan, que atende na rede municipal, explica que alguns sinais precisam de atenção. “A pessoa pode ter alteração da micção, o jato fica fraco, dores para urinar — principalmente à noite —, excesso de micção noturna e pode haver sangramento no sêmen ou na urina”, descreve. Nos casos mais avançados, dores pélvicas e dores ósseas podem surgir.
As recomendações seguem claras: homens a partir dos 50 anos devem iniciar acompanhamento, enquanto aqueles com histórico familiar, fatores de risco ou que são da população negra devem começar antes.
Dr. Hortelan lembra que o Novembro Azul também chama atenção para outras doenças. “Além do câncer de próstata, temos prostatite e hiperplasia benigna. Os exames detectam essas condições. Acima dos 40 anos, quem tem histórico familiar deve investigar; acima dos 45, afrodescendentes; e, para todos, a partir dos 50.”
O médico reforça que o preconceito ainda é um obstáculo. “O toque principal do Novembro Azul é aqui, na mente”, afirma apontando para a cabeça. Ele explica que exames não se substituem: “Eles são complementares. O exame de sangue é ótimo, mas há critérios para indicar o toque. Nem todo mundo vai precisar”.
Segundo Dr. Gustavo, durante este mês, unidades de saúde de Mococa vão funcionar em horários estendidos, até 21h, em dias específicos. “O homem não vai ter desculpa de falta de tempo”, reforça Hortelan. Ele lembra que, quando necessário, exames adicionais como biópsia, ressonância e avaliação de metástase podem ser solicitados.
Além da saúde: direitos garantidos por lei aos pacientes com câncer
Outra parte essencial da discussão é o acesso à informação sobre direitos. O advogado Dr. Gabriel Tavares, entrevistado pelo TVD Notícias, explica que o tratamento é assegurado pela Constituição e pelo SUS.
“A pessoa diagnosticada com câncer tem direito a tratamento gratuito, prioridade no atendimento e acesso a benefícios sociais e tributários”, afirma. Em relação ao INSS, ele explica que pacientes podem solicitar auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez. “Em caso de câncer, não é exigida carência. Basta comprovar a incapacidade temporária ou permanente para o trabalho.”
Entre os documentos necessários estão laudo médico atualizado (com data e carimbo), exames que comprovem o diagnóstico, documentos pessoais e comprovante de contribuição.
Tavares também lembra que há isenção de imposto de renda para aposentados ou pensionistas com câncer e que é possível obter isenções na compra de veículos adaptados em casos de mobilidade reduzida.
Outro direito importante é o saque integral do FGTS e do PIS/PASEP. “Isso vale tanto para o paciente quanto para cônjuges ou filhos diagnosticados”, explica.
No transporte, pacientes em tratamento fora da cidade e com baixa renda podem solicitar passe livre interestadual. Municípios e estados também costumam oferecer isenção no transporte urbano.
Há ainda prioridade em filas, atendimento em órgãos públicos e tramitação de processos judiciais. Sobre planos de saúde, o advogado reforça: “Eles são obrigados a cobrir todo o tratamento prescrito, inclusive quimioterapia oral e radioterapia moderna. Negar é ilegal”.
Para quem recebeu o diagnóstico recentemente, a orientação é buscar apoio imediato. “Procure o posto de saúde, o CRAS, a Defensoria. Organize seus documentos. E, se houver negativa de atendimento, peça por escrito”, afirma.
Informação que salva
O câncer de próstata continua sendo um desafio de saúde pública, mas informação, prevenção e acesso aos direitos garantidos por lei são essenciais para mudar essa realidade.
Mais do que um mês de campanha, novembro é um convite para que homens cuidem de si — sem medo, sem vergonha e sem atraso.
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