
Guaxupé está em Minas Gerais. Um estado que, é importante dizer, não possui as mesmas facilidades econômicas e estruturais do Estado de São Paulo, o mais forte do Brasil. Ainda assim, conseguiu planejar, investir e entregar uma unidade de saúde que oferece conforto, organização e humanização no atendimento.
Enquanto isso, Mococa, com cerca de 69 mil habitantes — quase 19 mil a mais do que Guaxupé —, vive uma realidade constrangedora.
Aqui, a UPA está parada há quase cinco anos, nunca mais funcionou, nunca mais foi ocupada e o prédio está se deteriorando.
E o dinheiro público investido permanece sem cumprir sua função social.
Pior: o que hoje opera no município é um atendimento improvisado, enclausurado e estrangulado. Uma estrutura minúscula, que não comporta a demanda. Pessoas aguardam atendimento sentadas na rua, na sarjeta, expostas ao sol, à chuva e à indignidade. Em épocas de maior procura, a situação se agrava ainda mais. É uma sala que mal comporta meia dúzia de pessoas. O restante fica do lado de fora.
Isso não é apenas precariedade, é desrespeito. A saúde começa no acolhimento.
Começa na forma como o cidadão é recebido quando já está vulnerável, com dor, medo e necessidade. Falar em qualidade da saúde sem falar em humanização é ignorar o básico.
E é justamente isso que queremos: dignidade para a população.
Estamos usando o exemplo de Guaxupé porque ele é recente, concreto e próximo. Ele mostra que é possível fazer. Ele escancara que o problema de Mococa não é falta de recurso. Afinal, o município recebeu cerca de R$ 700 mil do Estado e, mesmo assim, não conseguiu reativar a UPA, nem melhorar de forma digna a estrutura que hoje funciona de maneira improvisada. Não houve ampliação, não houve reforma adequada, não houve solução.
Estamos no quinto ano da mesma gestão, do mesmo Executivo, e nem esse problema básico foi resolvido.
Quando ampliamos o olhar, o cenário é ainda mais preocupante. Vereadores que exercem seu papel constitucional de fiscalização e fazem Solicitações de Informação sobre as finanças do município, venda de terrenos, repasses recebidos e destinação de recursos, simplesmente não são respondidos. Entidades recebem repasses atrasados e, muitas vezes, reduzidos. Falta transparência. Falta clareza. Falta respeito com o dinheiro público.
Infelizmente, parte do Legislativo abaixa a cabeça e não enfrenta a responsabilidade que o cargo exige. Os poucos que cobram, hoje, não têm força suficiente para fazer com que a verdade venha à tona e as coisas mudem.
E é preciso deixar claro: isso não é uma questão pessoal, é uma questão que esbarra diretamente na vida das pessoas que mais precisam.
Quando falamos de saúde, falamos de vida, falamos de um direito básico e prioritário.
Falamos de humanidade. O paralelo está posto, os números, os fatos e as imagens mostram isso.
Resta saber: até quando Mococa vai aceitar essa realidade?
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