
A taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano — o maior nível em quase 20 anos, algo que não se via desde 2006. Isso não é obra do acaso, nem um simples ajuste técnico da política monetária. É consequência direta de escolhas — ou da ausência delas — na condução fiscal e na gestão econômica do país.
Na prática, a realidade financeira das empresas se resume a duas situações.
Ou o empresário tem recursos próprios para investir, ou ele precisa captar recursos no mercado.
Quando há capital próprio, a decisão é racional: vale mais a pena investir para produzir ou aplicar o dinheiro?
Com juros elevados, essa conta se torna desfavorável à produção. Aplicações financeiras oferecem retorno alto, com risco baixo e liquidez. Já o investimento produtivo envolve risco, planejamento e um ambiente econômico complexo. Poucos negócios conseguem entregar, com segurança, a mesma rentabilidade oferecida pelo mercado financeiro.
O resultado é claro: quem poderia investir, muitas vezes prefere não investir.
Para quem não tem capital próprio e depende de crédito, a situação é ainda mais difícil. O investimento precisa gerar margem suficiente para pagar juros elevados e ainda sustentar a operação da empresa. Com o custo do crédito no patamar atual, muitos projetos produtivos simplesmente deixam de existir.
Tudo isso se soma a problemas estruturais históricos do Brasil:
um sistema tributário complexo, insegurança jurídica, logística ineficiente, infraestrutura precária e concorrência desigual com produtos importados.
É fundamental deixar claro que os trabalhadores não são o problema — são parte da solução. O Brasil convive com uma contradição grave: encargos elevados, salários baixos e baixa produtividade. Essa combinação prejudica tanto trabalhadores quanto empresários. Salários baixos reduzem o consumo, dificultam a qualificação e limitam ganhos de eficiência. Sem investimento, não há aumento de produtividade; sem produtividade, não há salários melhores. Esse ciclo precisa ser rompido.
Embora os indicadores oficiais apontem geração de empregos, a realidade mostra que, em grande parte, são empregos subvalorizados, com renda insuficiente para acompanhar o alto custo de vida. Muitas famílias vivem no limite, sacrificando um dia para conseguir sobreviver ao outro. Isso não representa desenvolvimento econômico real.
O capital, portanto, não desaparece — ele apenas migra da economia real para o mercado financeiro. E quando isso acontece, o país perde investimento, perde produtividade, perde competitividade e perde a oportunidade de gerar empregos de melhor qualidade.
Reduzir a taxa de juros é necessário — e isso depende, sim, de vontade política.
Mas não de vontade populista ou de discursos vazios. Depende da vontade política de fazer o que é correto, mesmo que seja impopular.
Isso passa por:
equilíbrio fiscal;
contenção de gastos públicos;
combate ao desperdício;
profissionalização da gestão pública.
Um exemplo evidente são as estatais que acumulam prejuízos bilionários. Empresas mal geridas pressionam as contas públicas, ampliam o endividamento e contribuem diretamente para a manutenção de juros elevados. No fim, a União, como avalista, acaba absorvendo esses prejuízos, que recaem sobre toda a sociedade.
O Brasil precisa de governantes que entrem no cargo pensando no país, e não apenas na próxima eleição. Em 2026 haverá eleições e, em 2027, uma nova direção nacional será definida. Mas, independentemente de ideologia, se a prioridade for a reeleição e não a responsabilidade, os problemas apenas serão empurrados para frente, com custo cada vez maior.
Esse custo já começou a aparecer: dificuldades crescentes na Previdência, aposentadorias cada vez mais distantes e uma geração inteira sentindo os efeitos de décadas de má gestão dos recursos públicos.
Nesse contexto, o Brasil não precisa escolher entre empresários e trabalhadores.
Precisa criar condições para que investimento, produção, emprego e salários cresçam juntos.
Sem isso, continuaremos penalizando quem produz, quem trabalha e quem quer prosperar — enquanto o país permanece preso a um modelo que não entrega futuro.
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